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Conheça 6 fatores que favorecem o enfezamento do milho

Lucas Jacinto • 3 de janeiro de 2024

Conheça 6 fatores que favorecem o enfezamento do milho

Fotografia mostra espiga de milho produzida por planta de milho contaminado com o complexo de enfezamento.

Época de plantio, nutrição da lavoura e zoneamento agrícola são alguns dos fatores que devem ser considerados para mitigar o enfezamento do milho.

O enfezamento do milho, também conhecido como complexo de enfezamento, integra as doenças enfezamento pálido e vermelho, e raiado fino. Este conjunto de doenças pode afetar até 70% da produtividade de uma lavoura de milho.


De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), este alto poder de dano é atribuído ao impacto que estas doenças causam na estrutura foliar das plantas, e na forma como afetam o desenvolvimento das espigas. Ambas as doenças do complexo de enfezamento são transmitidas pela cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), embora o inseto não nasça contaminado com os microrganismos que causam as doenças.


O processo de transmissão dos microrganismos que causam o complexo de enfezamento ocorre da seguinte forma:


  • Primeiro, a cigarrinha pica uma planta já contaminada com alguma das doenças para se alimentar, e se contamina com bactérias ou vírus, ou ambos os microrganismos.
  • Na sequência, quando a cigarrinha se alimenta de outra planta de milho, transmite as doenças a partir de seu estilete bucal contaminado.


Os vírus e bactérias que contaminam a cigarrinha, e que depois são transmitidos para as plantas, são:


  • Bactéria spiroplasma Spiroplasma kunkelli, que causa o enfezamento pálido.
  • Bactéria fitoplasma Maize bushy stunt phytoplasma, que causa o enfezamento vermelho.
  • Vírus Maize rayado fino vírus, que causa o raiado fino.


Considerando a relevância do complexo do enfezamento na produção agrícola brasileira, e as dificuldades no manejo da cigarrinha do milho, precisamos nos atentar aos fatores que contribuem para o avanço da doença. A adaptação a estes fatores também é fundamental para que o impacto destas doenças seja mitigado nas lavouras de milho.

Para ajudar produtores e técnicos, preparamos este artigo, onde apresentamos os 6 principais fatores que podem favorecer a ocorrência do complexo de enfezamento, e que devem receber muita atenção do agricultor.

Continue esta leitura para conhecê-los. 

Fatores que devem ser considerados em regiões com alta pressão de cigarrinha do milho

Existe um conjunto de fatores que deve ser considerado para reduzir a vulnerabilidade da lavoura em regiões com alta pressão de cigarrinha de milho. Ao se atentar a estes detalhes, é possível reduzir as infestações da praga, e minimizar os impactos do enfezamento e do raiado fino nas plantas de milho.

Os fatores que devem ser considerados são:


1 Zoneamento agrícola
É extremamente importante concentrar a semeadura do milho na melhor janela de plantio possível, e cultivar a gramínea apenas em regiões aptas para o seu plantio, conforme recomendações do ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).


2 Condições favoráveis para o inseto
As condições climáticas da segunda safra, que contam com temperaturas elevadas, favorecem o desenvolvimento e reprodução da cigarrinha e, consequentemente, o aumento do número de plantas contaminadas com vírus e bactérias. O monitoramento e o manejo do inseto são requisitos básicos para obter bons resultados de produtividade, principalmente na safrinha do milho.


3 Período crítico de VE – V5 
Danos causados até o estágio de V5 são os que mais impactam as plantas. Dependendo da pressão de cigarrinha, será necessário realizar de 3 a 6 aplicações dentro do período que vai de VE a V5.


O controle deve ser eficiente neste período porque esta fase coincide com a eclosão dos ovos do adulto, e desenvolvimento da ninfa. Nesta etapa, o foco do manejo deve ser o monitoramento da lavoura e o controle do inseto no momento correto.


4 Nutrição da lavoura
Para que a planta possa expressar toda a sua genética, é preciso que a lavoura esteja fisiologicamente ativa. A falta de sanidade da planta pode favorecer o desenvolvimento da doença até mesmo em plantas resistentes.

Neste contexto, o manejo nutricional de lavouras de milho em áreas com histórico de enfezamento deve fornecer elementos de forma equilibrada. É preciso mais atenção para o fornecimento dos nutrientes Potássio, Cobre e Níquel. Ambos são responsáveis por fortalecer os tecidos vegetais, e conferem à planta maior resistência contra pragas e doenças.


5 Adoção de híbridos de milho tolerantes ao enfezamento
Atualmente, é possível encontrar diversas opções de híbridos de milho tolerantes ao complexo de enfezamento.


Ao cultivar híbridos de milho suscetíveis ao enfezamento em regiões com histórico de ocorrência de cigarrinha do milho, a lavoura é sujeita a um maior número de plantas afetadas com infeções de maior intensidade. Neste cenário, os prejuízos causados pelo impacto das doenças somam-se aos gastos com aplicações, o que eleva o custo de produção.


6 Tigueras de milho
Quando sementes de milho são deixadas no solo após a colheita, é comum que surjam as plantas de milho tiguera, ou milho voluntário, que germinam fora de época. Estas plantas podem hospedar a cigarrinha de milho durante a entressafra, e aumentar a pressão da praga no início da próxima safra de milho. Por esse motivo, o manejo da tiguera de milho com herbicidas é indispensável.


Quer saber mais sobre o manejo da cigarrinha do milho e do complexo de enfezamento? Baixe nosso e-book gratuito clicando aqui: https://chk.eduzz.com/759568.

Você também pode conferir, no detalhe, quais são os sintomas do complexo de enfezamento no nosso canal do YouTube: 

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