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Impactos do clima na safra de soja 2023/24

Lucas Jacinto • 6 de março de 2024

Impactos do clima na safra de soja 2023/24

De acordo a CONAB, a cultura da soja foi prejudica pelas condições climáticas na safra 2023/24.

O boletim de acompanhamento de safra, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) no dia 8 de fevereiro, aponta que o plantio da safra de soja 2023/24 atingiu quase sua totalidade, alcançando 99,4% da área estimada, com apenas algumas regiões no Pará e Maranhão ainda pendentes. Quanto à colheita, houve um avanço significativo, atingindo 14% da área cultivada até o início de fevereiro, em contraste com os 8,9% registrados na safra anterior.


De acordo com a companhia, este avanço na colheita é atribuído ao encurtamento do ciclo da soja, devido às altas temperaturas e à redução das chuvas durante o desenvolvimento da cultura, especialmente nos estados do Mato Grosso e Paraná.

Neste último levantamento, a CONAB destacou que a produtividade estimada para a safra de soja 2023/24 sofreu nova redução, recuando para 3.314 kg/ha, 5,5% inferior ao obtido na última safra. A produção esperada também foi reduzida para 149.403,7 mil toneladas, número 3,8% inferior ao último levantamento, e 3,4% inferior à safra 2022/23, a maior da série histórica.


Como o clima está influenciando o cultivo e a colheita da soja

Os extremos climáticos durante o ciclo da soja impactaram diretamente o potencial produtivo da cultura, resultando em uma redução na produtividade em praticamente todos os estados produtores. Por outro lado, a CONAB destaca que o Rio Grande do Sul é uma exceção até o momento, pois segue com boas perspectivas de produtividade, que podem se confirmar a partir de condições climáticas favoráveis em fevereiro e março.


Em estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, a melhor distribuição das precipitações em janeiro permitiu uma boa recuperação das lavouras semeadas a partir de novembro, mas não foi suficiente para compensar as perdas das áreas semeadas no início da safra.



Ainda conforme o boletim da CONAB, o retorno das chuvas também melhorou a condição das lavouras no Matopiba, principalmente na Bahia. No Tocantins, no entanto, as chuvas permanecem irregulares.


No Paraná e em São Paulo, as altas temperaturas e a redução drástica das chuvas após a segunda quinzena de dezembro impactaram significativamente as lavouras em florescimento e enchimento de grãos, resultando em impactos negativos expressivos na produtividade.

O mercado de grãos e a soja até o momento

Dados divulgados em 5 de março pela Grão Direto apontam que:


  • No mercado físico brasileiro, os preços foram ligeiramente melhores, mesmo com a queda do dólar (-0,60%) ao longo da semana, cotado a R$ 4,96.


  • A melhora também aconteceu no contrato com vencimento em maio de 2024 (+0,61%), fechando a semana em US$ 11,50 o bushel.


Em relação às condições climáticas, mapas meteorológicos indicam que nesta semana as chuvas devem retornar em praticamente todas as regiões do Brasil. Entretanto, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para março apresenta uma tendência de chuvas abaixo da média em grande parte das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul.


Impactos do El Niño na produção de soja


Conforme artigo publicado pela Bayer, as interferências do El Niño nas condições climáticas do país começaram em março de 2023, e podem continuar influenciando as chuvas e a temperatura até o fim deste semestre. De acordo com informações divulgadas pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), dos Estados Unidos, há 73% de probabilidade de o fenômeno perdurar até abril ou junho de 2024.


Tendo em vista esta realidade, podemos afirmar que os impactos do El Niño na produção de soja variam de acordo com o momento da safra. Por exemplo, a falta ou excesso de água durante fases importantes do desenvolvimento da cultura, podem gerar prejuízos específicos, enquanto o mesmo problema durante as operações agrícolas também leva prejuízos para a cultura e, consequentemente, para o agricultor.





Entenda a dinâmica da cultura e como a falta ou excesso de chuvas pode prejudicar a produção de soja:


  • A soja consegue sobreviver mesmo com menores quantidades de água. Mas em situações de déficit hídrico, a planta pode abortar flores e vagens para conseguir continuar seu ciclo.

  • Após um longo período de estiagem, o tamanho dos grãos pode ser menor ao fim da safra. Além disso, mesmo ao enfrentar a seca apenas em estágios avançados de desenvolvimento, a planta pode abortar estruturas reprodutivas preservadas até o momento do déficit hídrico.

  • Ao fim da fase de enchimento de grãos, a demanda hídrica da cultura diminui, e a demanda de fotossíntese aumenta. O objetivo da planta nesta etapa é gerar grãos de qualidade. Com longos períodos chuvosos, ou dias muito nublados, a disponibilidade de radiação solar diminui, fazendo com que a planta não atinja seu potencial fotossintético.


  • A alta umidade favorece a ocorrência de doenças da soja.


De modo geral, o excesso de chuvas entre o enchimento dos grãos e a maturação das vagens pode causar a germinação dos grãos ainda dentro das vagens, a abertura das vagens, atraso na colheita, embuchamento de máquinas e uma série de problemas operacionais.


Para saber mais sobre este e outros assuntos que envolvem a produção de soja, milho e algodão, se inscreva em nosso canal do YouTube:


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