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Passo a passo para manejar o bicudo-do-algodoeiro

Lucas Jacinto • 9 de novembro de 2023

Passo a passo para manejar o bicudo-do-algodoeiro

Fotografia registrando um inseto bicudo-do-algodoeiro se alimentando do botão floral do algodão.

Os ataques do bicudo podem comprometer de 70% a 100% da produtividade do algodão.

O manejo de pragas é um fator restritivo para o cultivo do algodão por conta do custo elevado. Para se ter ideia, o valor gasto com aplicações de inseticidas para controlar insetos e ácaros no algodoeiro, pode representar até 30% do orçamento total da produção.

Considerando que o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é uma das principais pragas que afetam a produção de algodão no Brasil e no mundo, o manejo correto deste inseto é fundamental para evitar perdas de produtividade, e gastos elevados com operações ineficientes.


Para saber como evitar os impactos do bicudo-do-algodoeiro na cultura do algodão, e otimizar seus investimentos em manejo de pragas, leia este artigo até o final e confira:

  • Dinâmica de pragas da cultura do algodão.
  • Características do bicudo-do-algodoeiro.
  • Passo a passo do manejo do bicudo-do-algodoeiro.

 


Dinâmica de pragas da cultura do algodão


O conceito de praga é dinâmico, e depende de uma série de fatores que se modificam conforme a ocasião.


Um inseto pode ser considerado praga ou não, em função de:

  • Fatores ecológicos
    Nível populacional e época de ocorrência.

  • Fatores econômicos
    Valor econômico, objetivo da cultura, característica e intensidade do dano e custo de controle.

  • Fatores sociais
    Desenvolvimento da região e momento histórico.

  • Fatores culturais
    Nível técnico do agricultor.

  • Interação entre esses fatores.

No Brasil, cerca de 259 espécies de pragas se alimentam da cultura do algodão. Dentro deste grupo, 12 são consideradas pragas importantes, juntamente com 3 espécies de ácaros. As pragas do algodoeiro são classificadas em dois grupos:

  • Pragas chave
    São artrópodes fitófagos, que estão presentes na lavoura em elevado nível populacional, e que provocam injúrias capazes de acarretar perdas significativas na produção.

  • Pragas ocasionais
    São artrópodes fitófagos, que estão presentes na lavoura em baixo nível populacional, e que provocam injúrias pouco significativas.


O bicudo-do-algodoeiro pertence ao grupo das pragas chave, porque apresenta um potencial de danos à cultura muito elevado.


Características do bicudo-do-algodoeiro


Os ataques do bicudo podem causar impactos de 70% a 100% na produtividade do algodoeiro. O prejuízo acontece quando a fêmea oviposita e se alimenta nos botões florais. Após a oviposição, os botões se fecham, e a larva da praga se alimenta do fruto de dentro para fora.

Neste contexto, o hábito alimentar do inseto impede o desenvolvimento da maçã, causando amarelecimento e queda da estrutura reprodutiva.


O bicudo-do-algodoeiro prefere se alimentar dos botões florais do terço médio das plantas de algodão. Para ovipositar, o inseto procurar pelos botões florais da parte superior da planta.


As principais características do inseto, são:


  • Período de ovo ao adulto dura 20 dias.
  • Oito gerações por ciclo de algodão.
  • Adulto vive de 20 a 40 dias.
  • Oviposições acontecem em botões florais da parte superior da planta.
  • Cada fêmea pode botar até 150 ovos.
  • Período de incubação – 2 a 4 dias.
  • Fase larval - 4 a 12 dias
  • Na entressafra, os adultos diminuem o metabolismo e procuram refúgio.
  • Voltam a atacar nos primeiros plantios.

 


Passo a passo do manejo de bicudo no algodoeiro


Tomando por base os dados da Consultoria e Suporte Técnico, a #AgIn desenvolveu uma metodologia de manejo do bicudo-do-algodoeiro que pode ser apresentada em um passo a passo otimizado.

Conheça os 7 passos do manejo do bicudo-do-algodoeiro:

  • Passo 1
    Logo após a colheita, é muito importante realizar a destruição total das soqueiras e respeitar e cumprir o vazio sanitário de cada região. Isso é essencial para reduzir a pressão e o foco da praga.


  • Passo 2
    É necessário instalar um bom armadilhamento de tubo mata-bicudo. Assim, manejamos os bicudos que restaram mesmo sem as soqueiras da safra anterior.

  • Passo 3
    Começar o monitoramento com armadilha 60 dias antes do plantio, identificando as zonas de maior pressão durante o pré-plantio.

  • Passo 4
    Iniciar o trabalho de manejo nas bordaduras entre 10 a 15 dias após o plantio. Como o bicudo não tem o hábito de voar para longe, ele inicia seu ataque nas bordaduras, em sentido ao centro da área. Esse é o momento ideal para manejar o inseto.

  • Passo 5
    Depois do surgimento do primeiro botão floral da planta de algodão, é necessário realizar uma aplicação geral para manejar o inseto, utilizando como base as informações coletadas no armadilhamento durante o pré-plantio. Nesse momento o inseto encontra as condições ideais para aumentar a população – o bicudo depende do botão floral para se multiplicar. Sendo assim, identificando a presença do inseto nas lavouras nessa etapa, deve ser realizada a aplicação de inseticida para manejo.

  • Passo 6
    Continuam o monitoramento e o manejo do bicudo em bordadura a cada cinco dias. Assim, conseguimos segurar ao máximo o avanço da praga na lavoura, mantendo o inseto abaixo do nível de dano econômico.

  • Passo 7
    Caso ele apareça nas áreas centrais da lavoura, a opção é adotar o nível de controle (ou ponto de gatilho) para tomar a decisão de manejo. Ao encontrar de 3% a 5% de danos provocados pelo bicudo nas plantas, é necessário realizar a aplicação.


Uma dica que vale ouro: a concentração de plantio, uma rápida colheita e a destruição de soqueiras, são práticas importantes, que ajudam no controle do bicudo para a próxima safra.


Dicas para monitorar pragas no algodoeiro


De modo geral, o monitoramento de pragas do algodão é uma prática indispensável para manejar qualquer inseto que cause prejuízos à cultura.


A rotina de monitoramento do algodoeiro deve acompanhar o desenvolvimento das plantas, o que faz com que a dinâmica desse trabalho mude a cada estágio da planta.


As dicas para o monitoramento de pragas do algodoeiro são:

  • Dedicar 1 monitor para cada 500 hectares.
  • Até 45 dias após a emergência (DAE), avaliar 5 plantas por ponto de amostragem - mínimo de 40 pontos por talhão.
  • Após 45 DAE, avaliar 1 planta por ponto de amostragem – mínimo 100 pontos por talhão.
  • Até 150 DAE – monitorar a cada 3 dias.
  • Após 150 DAE - monitorar a cada 5 dias.
  • Atenção para o horário - sempre entre 7h e 18h.



Fatores que contribuem para a disseminação do bicudo


Além de realizar o manejo correto do bicudo-do-algodoeiro, é fundamental se atentar para os fatores que contribuem para a disseminação do inseto.

Entre os principais fatores que contribuem para que a praga se desloque entre as lavouras, estão:

  • Soqueiras de algodão que sobrevivem na cultura da soja
    O inseto pode se alimentar da planta de algodão na safra de soja, até que o plantio do algodão ocorra novamente.

  • Estradas com algodão
    Quando a colheita de algodão ocorre muito próximo a estradas, é comum que algumas plumas sejam levadas pelo vento para fora da propriedade. Isso favorece a ocorrência do bicudo, que encontra alimento nos restos culturais do algodão.

  • Caminhões mal acondicionados
    O transporte irregular dos fardões de algodão pode deixar fibras pelo caminho, causando o mesmo problema do tópico mencionado acima.

 

Saiba mais sobre o manejo da cultura do algodão


Para saber mais sobre o manejo de pragas na cultura do algodão, acesse nosso e-book, e conheça o comportamento, as características, impactos e métodos de manejo das lagartas, percevejos, pulgões e ácaros que impactam a produtividade do algodoeiro.
É só clicar aqui.


Você também pode conhecer o manejo da cultura do algodão desde o plantio na nossa websérie “100% Algodão”, disponível no YouTube:

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